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RESENHA | Contrapeso de Djuna


CONTRAPESO

Tema: Cyberpunk, Futurístico, Ficção Científica

Contrapeso é um romance de ficção científica que combina elementos de cyberpunk, thriller e crítica sociopolítica. A obra apresenta uma narrativa envolvente e instigante ambientada em um futuro próximo marcado pela presença opressiva de megacorporações e avanços tecnológicos que nos faz refletir sobre o poder, identidade e exploração.

O livro foi publicado no Brasil em 2024 pela Editora Companhia das Letras, com tradução de Luís Girão.

A história se desenrola na ilha fictícia de Patusan, um lugar tropical que, originalmente um resort isolado, se tornou o foco de ambições tecnológicas quando o conglomerado coreano LK decide construir ali o primeiro elevador espacial do mundo. Essa construção transforma o local em um movimentado ponto de tráfego entre a Terra e o espaço, colocando em tensão os interesses corporativos e a população local.

O título da obra, 'Contrapeso', remete à massa de lixo espacial que sustenta a estrutura do elevador. Dentro desse lixo encontra-se um fragmento de memória deixado pelo antigo CEO da LK, um pedaço de informação poderoso o suficiente para moldar o destino da corporação e, possivelmente, o da humanidade. A busca por esse fragmento, chamado de "Minhoca", desencadeia uma corrida entre personagens rivais, cada um com seus próprios interesses.

O protagonista e narrador é o Mac, chefe de Assuntos Externos da LK, um personagem cínico e complexo que se vê no meio do conflito entre lealdade corporativa e dúvidas pessoais sobre os métodos e os objetivos de seu empregador. Sua investigação o leva a cruzar caminhos com Choi Gangwu, um funcionário aparentemente comum, porém com implantes cerebrais que contêm fragmentos da própria memória do ex-presidente da corporação. Essa conexão faz de Choi um alvo valioso em uma trama recheada de identidades falsas, jogos de manipulações e conspirações. 

Ao longo da narrativa surgem temas como a hegemonia corporativa, o impacto da tecnologia avançada sobre a sociedade e os conflitos políticos com a população nativa, representada pela Frente de Libertação Patusan, que luta pela soberania da ilha contra a dominação da LK. Esses elementos também refletem a parábola sobre o neocolonialismo e a desigualdade no contexto global contemporâneo.

Em síntese, a escrita de Djuna evidencia o pouco que se sabe sobre ele(a) como crítico(a) de cinema, já que a narrativa do livro se aproxima mais de uma experiência cinematográfica do que de uma obra literária tradicional. O livro também nos faz pensar sobre o que significa ser humano em um mundo onde tecnologias como implantes neurais e inteligência artificial influenciam o comportamento e a autonomia individual.

Sobre o autor(a)

DJUNA é romancista e faz crítica de cinema, além de ter participado da Korean Science Fiction Writers Union. Há mais de vinte anos, escreve sem revelar idade, gênero ou sequer o próprio nome. Uma das pessoas mais importantes a produzir ficção científica na Coreia do Sul atualmente, Djuna publicou dez coletâneas de contos e cinco romances. Contrapeso é sua primeira obra publicada fora do país.

Referências Bibliográficas

DJUNA. Contrapeso. Tradução de Luís Girão. São Paulo: Companhia das Letras, 2024.

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